Dúvidas sobre impacto do consignado CLT Segundo presidente do Branco Central, existem estimativas sobre a medida, mas não se sabe se representa, por exemplo, fluxo novo de crédito

Publicação: 28/03/2025 03:00

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, disse ontem que os possíveis impactos da medida que ampliou o crédito consignado para celetistas ainda não foram considerados nas projeções da autoridade monetária. A afirmação foi feita durante entrevista para apresentação do Relatório de Política Monetária do primeiro trimestre.

“A gente não considerou ainda, nas nossas projeções, o impacto do consignado privado. Temos visto, desde o lançamento, estimativas variadas de como será o impacto. Há muita dúvida sobre quanto isso representa um fluxo novo de crédito ou uma substituição de dívida antiga por nova, e sobre como isso vai se desdobrar no tempo”, disse.

Criado por medida provisória no último dia 12, o Programa Crédito do Trabalhador na Carteira Digital de Trabalho abrange empregados da iniciativa privada com carteira assinada, incluindo empregados domésticos, trabalhadores rurais e contratados por microempreendedores individuais (MEI). A medida, segundo o governo, tem o potencial de oferecer crédito menos caro a até 47 milhões de pessoas.

De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, foram registradas 64.718.404 simulações e 8.704.759 pedidos de crédito. Até as 17h da última terça-feira, 48.170 pessoas contrataram R$ 340,3 milhões em empréstimos pela nova modalidade de crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada. O valor médio ficou em R$ 7.065,14 por trabalhador, com prazo médio de 21 meses divididos em parcelas de R$ 333,88.

Na avaliação do presidente do BC, a iniciativa tende a responder mais a uma questão estrutural da oferta de crédito, do que uma medida conjuntural, “tendo a ver como uma agenda mais antiga de substituir crédito de alto custo para baixo custo”, ressaltou.

IMPOSTO DE RENDA
Ainda segundo Galípolo, as medidas como o novo consignado privado e a isenção de Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil têm caráter estrutural, e não parecem “conversar” com o ciclo de aperto monetário. “A questão do imposto de renda não é algo que está agora, é uma promessa que fazia parte do programa de governo do presidente Lula”, disse Galípolo. Os impactos da isenção do pagamento do Imposto de Renda para quem recebe um salário de até R$ 5 mil, no entanto, ainda não foram calculados, explicou. (Agência Brasil e Agência Estado)