Tradição em cada mordida Dono da lanchonete mais antiga de Olinda, Eduardo Pinto resiste às tendências gourmet e oferece hambúrguer raiz para saciar a fome a qualquer hora do dia
Allan Lopes
Publicação: 28/03/2025 03:00
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Os sanduíches da Larica%u2019s fazem sucesso desde 1991 |
Um disco de carne moída entre fatias de pão redondo caracteriza o hambúrguer, um dos lanches mais populares do mundo. A simplicidade da receita abre margem para variações que exploram novos sabores e texturas, como as versões gourmet, em que o refinamento da montagem ganha destaque. Apesar dessa tendência, estabelecimentos raiz, que apostam em ingredientes artesanais, continuam atraindo clientes. Exemplo disso é a Larica’s, a hamburgueria mais antiga de Olinda, que desde 1991 mantém sua tradição como destino para quem precisa matar a fome, até mesmo quando o relógio já passa da meia-noite.
O proprietário Eduardo Pinto herdou do avô o amor pelo comércio e, desde cedo, compreendeu que a relação com os clientes é um dos pontos mais delicados do negócio. Para ele, ter superado este desafio foi decisivo para a Larica’s alcançar mais de três décadas de sucesso. “É preciso ser paciente. Tem gente que vem mais para conversar do que para lanchar”, atesta.
O diferencial do sanduíche está, em parte, na maionese, cuja receita tem raízes na sanduicheria Mania de Comer. Fernanda, esposa de Eduardo, era cliente do extinto local, onde aprendeu a preparar o molho com o dono. Depois, ensinou ao marido. “Acredito que o segredo esteja no fato de ser um sabor antigo e totalmente caseiro”, aposta ele. Embora o preparo seja simples, com seis ingredientes tradicionais — limão, mostarda, cebola, ovo, vinagre, sal e óleo —, somente Eduardo é quem tem o toque final sobre a maionese.
Ele também cuida da carne, optando por um método simples e prático. Em vez de utilizar uma infinidade de temperos, o preparo segue com o básico: carne moída, creme de cebola, sal e farinha de trigo. O processo é rápido, levando menos de meia hora. Após misturar os ingredientes com as mãos, até atingir uma massa homogênea, os hambúrgueres são modelados, com peso variando entre 75 e 80 gramas, prontos para o fogo.
O cardápio também oferece outras alternativas — como carne de sol, picanha, charque, queijo coalho, coração de galinha, filé de peito e frango desfiado — e conquista uma clientela famosa, como os músicos Fábio Trummer, da Banda Eddie, e Chinaina, antigos frequentadores do local, que, mesmo morando fora, sempre aparecem por lá quando estão por Pernambuco.
Além do tradicional X-Bacon, de longe o mais pedido, outro carro-chefe da casa é o Laricão, que chama atenção pela sua generosidade. A combinação de carne, salsicha, bacon, ovo, presunto e milho resulta em uma explosão de sabores capaz de saciar até os mais esfomeados.
Mas, para Eduardo, a chave do hambúrguer perfeito está em um detalhe crucial, ainda mais importante que a carne ou a maionese. “Meu amigo, a preparação do pão é o mais importante”, ressalta, com convicção. Para garantir a qualidade, ele compra pão fresquinho todos os dias na Panleila, uma panificadora que, assim como a Larica’s, iniciou seus negócios em 1991. “O pão tem que ser sempre do dia, nada de usar pão do dia anterior”, observa.
Na busca por tornar seus hambúrgueres ainda mais suculentos, Eduardo já pensa em mudanças no preparo da carne. “Eu tenho a ideia de começar a vender hambúrguer na brasa, que é bem mais saboroso, com aquele gosto marcante. E, além disso, é mais saudável, porque na brasa não tem o excesso de óleo que a chapa traz”, explica.
Seja na brasa ou na chapa, com ou sem maionese, o que que nunca muda é que, quando bater aquela larica, o hambúrguer de Eduardo vai ser o abraço que seu estômago espera.