Sudene aprova mais uma exclusividade para a TLSA Dessa vez, a empresa responsável pela construção do ramal da Ferrovia Transnordestina que vai para Pecém (CE) receberá R$ 800 mi do antigo Finor

PUPI ROSENTHAL

Publicação: 08/08/2025 03:00

Trecho onde seria construído o ramal até Suape (RAFAEL VIEIRA/DP FOTO)
Trecho onde seria construído o ramal até Suape
No mesmo dia em que foi publicada, no Diario Oficial, a exoneração de Danilo Cabral da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), um novo aporte de R$ 800 milhões foi autorizado a ser feito para a TLSA – empresa responsável pela construção do ramal que atenderá o Porto de Pecém, no Ceará. A saída de Danilo se deu, justamente, por pressão da TLSA que reclamou da falta de agilidade na liberação de recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) por parte da Sudene.

A autorização foi aprovada, ontem, pela diretoria colegiada da autarquia. Os recursos são provenientes do antigo Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor), através do qual empresas que se instalavam na região recebiam aportes de recursos e, em troca, a Sudene recebia cotas-partes desses empreendimentos.

Uma lei de 2021, que tratou da venda dessas cotas, foi modificada em 15 janeiro deste ano para garantir, indiretamente, que esse montante fosse destinado apenas à TLSA. Ela diz que o apurado da venda das cotas do Finor será destinado ao FDNE que, por sua vez, só poderia destiná-los para “companhias concessionárias de serviços públicos do setor de logística ferroviária, em projetos que já tenham recebido aportes oriundos do FDNE”. Em toda a região, só a TLSA tem recebido dinheiro do Fundo. 

No ano passado, ficou definido que todo o orçamento anual do FDNE, de cerca de R$ 1 bilhão, seja destinado à empresa pelos anos de 2024, 2025 e 2026. Dessa forma, a única beneficiária do dinheiro se torna a TLSA.