Carrinho de compras carrega peso da inflação
Para a Associação dos
Distribuidores, em
abril vários produtos
estarão mais caros,
por conta da alta do
dólar, energia elétrica
e dos combustíveis
THATIANA PIMENTEL
thatianapimentel.pe@dabr.com.br
Publicação: 20/03/2015 03:00
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Produtos de higiene e limpeza terão reajustes entre 12% e 15% em abril. Cosméticos podem aumentar até 20% |
“Não existe uma saída visível. Estamos vivendo uma crise econômica em um cenário de incerteza política. Os atacadistas e distribuidores precisarão repassar essa elevação nos custos de produção aos consumidores. Não temos mais como absorver essas alterações”, afirma Torres. Ele acrescenta que a alta pesará primeiramente nos bolsos da classe C, fator que deverá reverter o upgrade no consumo dessa parcela da população. “Nos últimos anos, esse público começou a investir em itens mais refinados, de maior valor agregado e de boas marcas. Agora, esses “extras” deverão ser cortados das compras mensais porque o ganho real deles irá diminuir”, completa.
Torres reforça que os gastos com energia elétrica são um dos maiores vilões, mas algumas indústrias estão encontrando soluções nas energias alternativas. “Já existe uma parcela de atacadistas investindo em energia solar, mas os incentivos do governo federal ainda são pequenos. Como é uma substituição muito cara, seria preciso um esforço maior para essa fonte se popularizar nas indústrias.”
Para Ulisses Brandão, superintendente regional da Martins, líder do segmento atacadista-distribuidor brasileiro, os efeitos em cadeia dos aumentos já estão sendo sentidos no setor de bens duráveis, principalmente televisões, computadores e aparelhos celulares. “Neste primeiro semestre houve uma queda grande na procura destes segmentos em todas as classes. Mas estamos otimistas na recuperação. Os itens de Páscoa, por exemplo, estão saindo rápido. Todos os nossos estoques já foram escoados. Além disso, Pernambuco tem um comportamento diferente do resto do país. Nossa economia é sólida.”
Já Alexandre Ferrer, diretor comercial das Indústrias Pitú, relata que o setor de bebidas ainda não está sofrendo com o aumento dos preços, porque as indústrias estão absorvendo a alta dos custos, mas essa contenção não deve durar muito. “Tudo é uma incógnita. Não sei se seguraremos os valores dos produtos se houver mais altas. É difícil porque os insumos são indexados ao dólar. Estamos segurando o máximo nossos custos, controlando a produção e enxugando os gastos extras para reduzir o impacto no consumo. Agora é esperar.”