Lava-Jato alerta o Banco Central
Impacto da operação
no sistema financeiro
é monitorado pelo
BC. Institutições
fazem provisões
fianceiras para se
prevenir de calotes
Publicação: 20/03/2015 03:00
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Itaú Unibanco, maior banco privado do país, acumulou R$ 4,6 bilhões em provisões |
Ao fim da apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira, um documento trimestral em que o BC avalia a solidez do sistema bancário, o diretor de Fiscalização e de Regulação da autarquia, Anthero Meirelles, admitiu que os desdobramentos da Lava-Jato têm merecido atenção e acompanhamento permanente do órgão. “É uma operação de porte, que atinge um setor relevante do ponto de vista econômico”, disse, definindo o momento como desafiador. “Mas temos bastante segurança da capacidade do nosso sistema financeiro de absorver eventuais impactos.”
No segundo semestre do ano passado, quando a Lava-Jato já havia sido deflagrada, o sistema financeiro nacional se mantinha sólido, sublinhou Meirelles. Ele assegurou que os bancos brasileiros estão preparados para enfrentar cenário bastante adverso, mas deixou claro que ainda não é possível mensurar o impacto do avanço das investigações neste início de ano. “Não temos bola de cristal”, alegou.
O BC tem simulado situações extremadas, e dia a dia vasculha informações para entender a cadeia de efeitos do esquema de corrupção. No próprio relatório divulgado ontem, a autoridade monetária pontuou que “o acesso mais restrito a financiamentos pelas empresas investigadas na Lava-Jato e seus fornecedores enseja atenção relativamente aos seus impactos potenciais sobre a capacidade de pagamento dos tomadores de crédito”.
Embora o BC avalie que o sistema financeiro ainda se encontre, em geral, com nível de provisões adequado, os bancos aumentaram significativamente as reservas desde o início das investigações, mostrando o esforço que vêm fazendo para não serem apanhados de surpresa. O Itaú Unibanco, maior banco privado do país, acumulou R$ 4,6 bilhões em provisões no último trimestre de 2014, 10% a mais que no mesmo período de 2013 — no total, são quase R$ 27 bilhões separados para enfrentar calotes de clientes. O BTG Pactual, maior acionista individual da Sete Brasil, aumentou a provisão em 307% no ano passado. O Bradesco, que tem 7% da carteira de empréstimos em operações com empreiteiras, provisionou R$ 3,3 bilhões no último trimestre.