Ramos André
Advogado
jramosandre@ig.com.br
Publicação: 13/02/2015 03:00
Começa a passar o rescaldo da brutalidade cometida em Paris contra o Hebdo,em 07.01.15. O mundo ocidental protestou “comme Il faut”contra o atentado terrorista dos “soldados” da jihad que covardemente assassinaram 12 das pessoas que se encontravam naquele hebdomadário satírico. Outras vítimas se seguiram como consequência do delírio religioso dos jihadistas ou como revide insensato contra os islâmicos e outras religiões. As chamas das emoções já estão sob controle e a distância temporal dos bárbaros acontecimentos, ajuda a cicatrizar as feridas, permitindo algum lampejo da razão para a cura da cegueira das emoções.
Os atritos entre cristãos e os descendentes de Maomé vêm de muitos séculos. Desaparecido o Império Romano, 476, o cristianismo europeu passou a ser invadido pelos chamados povos bárbaros que foram constituindo pequenos reinos, alguns mantendo o cristianismo. Nessas circunstâncias os maometanos em expansão missionária desde a Arábia, passando pela África, atravessaram Gibraltar em 711 e estabeleceram-se na Península Ibérica e avançaram sobre a FRANÇA, onde foram derrotados por Carlos Martel na batalha de Pointiers, 732. Era o início da reconquista cristã. Um misticismo revigorado levou muitos cavaleiros a oferecerem os seus serviços para expulsar o inimigo (maometanos) aos poucos núcleos de resistência cristã ainda existentes. Assim nasceu Portugal, por exemplo. D. Henrique, um cavaleiro francês da Borgonha, ofereceu-se a Afonso de Castela na guerra da reconquista, e recebeu como presente a mão de sua filha Teresa e o Condado
Portucalense. O único filho do casal, Afonso Henriques, não deu tréguas ao invasor e, batalha após batalha, algumas vencidas milagrosamente como a de Ourique, 1139, foi desalojando-os do ocidente da Península, formando Portugal . Algumas mesquitas foram destruídas, como a de Lisboa, 1147, sob cujos escombros foi construída a Sé de Lisboa. Outras foram adaptadas ao culto cristão, como a de Córdoba. Os castelos continuam testemunhando o destemor e o misticismo da carnificina das lutas das duas religiões monoteístas. Mas, além da reconquista, também saíram da Europa as grandes e mal sucedidas cruzadas, a caminho de Jerusalém para conquistar os lugares santos, em poder dos maometanos. A raiz das desavenças além de antiga deixou feridas profundas entre as duas “civilizações”. Cutucar a onça com vara curta é perigoso, por isso deu no que deu. Vingança na defesa da fé enxovalhada.
A arte dos cartunistas de Paris foi longe demais. Saíram do humano e meteram-se com o sagrado. Provocaram a revolta dos deuses. Não se brinca com o sagrado ....com a religião dos outros. A injúria, a violência, o deboche grotesco à religião alheia não cabem na arte, na liberdade de expressão, mesmo que seja no cartum ou na sátira. E nisso o Hebdo foi longe demais. Os cristãos fecharam os olhos a ofensas semelhantes, mas os islâmicos não puderam tolerar tamanha ofensa a Maomé, ao seu “cristo”. Depois, estão em guerra permanente contra o ocidente cristão. Jihad, EI, al-Qaeda e outros braços fortes da guerra santa estão atentos. E o inevitável aconteceu. E o radicalismo islâmico recrudesceu nos dias seguintes. A al-Qaeda pede mais reações contra o ocidente cristão. Parecia que 2015 seria de Paz.Castro e Obama deram as mãos, o Papa foi recebido pelos muçulmanos, esperanças Israel\Palestina, mas brincaram com o sagrado.
Os atritos entre cristãos e os descendentes de Maomé vêm de muitos séculos. Desaparecido o Império Romano, 476, o cristianismo europeu passou a ser invadido pelos chamados povos bárbaros que foram constituindo pequenos reinos, alguns mantendo o cristianismo. Nessas circunstâncias os maometanos em expansão missionária desde a Arábia, passando pela África, atravessaram Gibraltar em 711 e estabeleceram-se na Península Ibérica e avançaram sobre a FRANÇA, onde foram derrotados por Carlos Martel na batalha de Pointiers, 732. Era o início da reconquista cristã. Um misticismo revigorado levou muitos cavaleiros a oferecerem os seus serviços para expulsar o inimigo (maometanos) aos poucos núcleos de resistência cristã ainda existentes. Assim nasceu Portugal, por exemplo. D. Henrique, um cavaleiro francês da Borgonha, ofereceu-se a Afonso de Castela na guerra da reconquista, e recebeu como presente a mão de sua filha Teresa e o Condado
Portucalense. O único filho do casal, Afonso Henriques, não deu tréguas ao invasor e, batalha após batalha, algumas vencidas milagrosamente como a de Ourique, 1139, foi desalojando-os do ocidente da Península, formando Portugal . Algumas mesquitas foram destruídas, como a de Lisboa, 1147, sob cujos escombros foi construída a Sé de Lisboa. Outras foram adaptadas ao culto cristão, como a de Córdoba. Os castelos continuam testemunhando o destemor e o misticismo da carnificina das lutas das duas religiões monoteístas. Mas, além da reconquista, também saíram da Europa as grandes e mal sucedidas cruzadas, a caminho de Jerusalém para conquistar os lugares santos, em poder dos maometanos. A raiz das desavenças além de antiga deixou feridas profundas entre as duas “civilizações”. Cutucar a onça com vara curta é perigoso, por isso deu no que deu. Vingança na defesa da fé enxovalhada.
A arte dos cartunistas de Paris foi longe demais. Saíram do humano e meteram-se com o sagrado. Provocaram a revolta dos deuses. Não se brinca com o sagrado ....com a religião dos outros. A injúria, a violência, o deboche grotesco à religião alheia não cabem na arte, na liberdade de expressão, mesmo que seja no cartum ou na sátira. E nisso o Hebdo foi longe demais. Os cristãos fecharam os olhos a ofensas semelhantes, mas os islâmicos não puderam tolerar tamanha ofensa a Maomé, ao seu “cristo”. Depois, estão em guerra permanente contra o ocidente cristão. Jihad, EI, al-Qaeda e outros braços fortes da guerra santa estão atentos. E o inevitável aconteceu. E o radicalismo islâmico recrudesceu nos dias seguintes. A al-Qaeda pede mais reações contra o ocidente cristão. Parecia que 2015 seria de Paz.Castro e Obama deram as mãos, o Papa foi recebido pelos muçulmanos, esperanças Israel\Palestina, mas brincaram com o sagrado.