Tarifaço pode abrir oportunidades em PE
Segundo especialistas, estado pode se beneficiar ampliando o mercado de exportações em setores como fruticultura e agropecuária
Thatiany Lucena
Publicação: 04/04/2025 03:00
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Fruticultura irrigada do Vale do São Francisco já comercializa com EUA, Europa e Ásia |
A medida do governo dos Estados Unidos de impor tarifas aos parceiros comerciais, anunciada na última quarta-feira (2), deve ampliar as possibilidades de exportação em Pernambuco e no Brasil. A sobretaxação de 10% sobre os produtos brasileiros pelos Estados Unidos deve entrar em vigor a partir do próximo sábado.
De acordo com o cientista político Thales Castro, o estado pode se beneficiar nas exportações no setor de fruticultura irrigada do Vale do São Francisco. Castro aponta que, considerando que o setor de fruticultura do estado que já exporta para os Estados Unidos, Ásia e a Europa, a iminência de uma guerra comercial global pode abrir novas oportunidades comerciais em Pernambuco também para outros países.
Já segundo a análise do economista Luiz Maia, o estado pode até passar a exportar ovos e leite para o mercado internacional. “Os EUA têm dificuldade nesses mercados porque existe uma escassez mundial nesses produtos. Além disso, a chegada de produtos de outros países está sendo mais prejudicada do que a do Brasil. Com essa imposição de tarifas, pode ser que o ovo pernambucano chegue mais barato nos Estados Unidos do que o do México”, analisa.
O economista explica que as barreiras comerciais que estão sendo impostas contra a maioria dos países concorrentes do Brasil são maiores e isso aumenta as chances de negociação do Brasil com outros países. “O Brasil por ter sido menor taxado na disputa pelo mercado americano ganha vantagem em relação a todos aqueles que foram mais taxados. Nesse sentido, até em relação ao comércio entre o Brasil e Estados Unidos, por incrível que pareça, pode acabar tendo até uma vantagem na concorrência para vender para os Estados Unidos”.
CHINA
Luiz Maia destaca ainda que essa expansão no mercado brasileiro pode ser ainda mais reforçada com a retaliação dos países diante da medida imposta por Trump. “O Brasil tem essa vantagem porque quando esses países retaliarem os Estados Unidos, as exportações do Brasil vão ficar mais atrativas”, disse. O economista reforça ainda que o mercado brasileiro deve ficar mais competitivo nas exportações com a Europa e com a China.
Já Thales Castro lembra que, desde 2011, o maior parceiro comercial do Brasil é a China. “Estamos com mais de uma década de China tendo a prevalência das nossas exportações na pauta do agronegócio e minérios de ferro. O Brasil exporta também produtos de alto teor tecnológico, como é o caso de aviões, com a Embraer”.