Ayrton Montarroyos revive raízes musicais
Cantor pernambucano apresenta nesta sexta-feira, no palco do Teatro do Parque, repertório que passeia pela música brasileira, em um arco que vai de 1914 a 2020
Allan Lopes
Publicação: 03/04/2025 03:00
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Artista traz canções do aclamado álbum A Lira do Povo |
Desde 2019, quando mostrou Um Mergulho no Nada no Teatro de Santa Isabel, Ayrton deixou de pisar nos palcos recifenses, mas nunca no coração da cidade. A cada carnaval, essa relação se renova, teimosa como um frevo que não acaba. “Brincar na folia, para mim, é um respiro no meio da rotina muitas vezes massacrante em São Paulo. Minha conexão com a cidade está nessa magia”, atesta ele, em conversa exclusiva com o Viver.
Ayrton divide A Lira do Povo em três blocos temáticos, reunindo 26 canções que vão de 1914 a 2020. “Nunca tive problema com música contemporânea, minha questão é com música ruim”, observa.
Quando as cortinas do Parque se abrirem, o público será refletido por um espelho circular de três metros de diâmetro, criando um efeito imersivo que dissolve as barreiras tradicionais entre artista e plateia. Ainda assim, Ayrton buscou um algo mais para diluir seu protagonismo no show. Optou por reduzir o espaço para os aplausos. “Eu queria que o público esquecesse que estava no teatro”, argumenta.
A narrativa é guiada pelo som de um trem que se aproxima, conduzindo os espectadores. É O Trenzinho do Caipira, de Heitor Villa-Lobos, que surge pelo verso que já pressupõe uma história: “Lá vai o trem sem destino, pra um dia novo encontrar”. É assim que a jornada se inicia, sem começo óbvio, sem aviso prévio, apenas seguindo o fluxo da música, da memória e do tempo.