Um tucano cada dia mais escanteado do ninho Após rixa com Raquel e a troca de sigla da esposa, Álvaro Porto, presidente da Alepe, ficou de fora de evento do PSDB no estado, que reuniu caciques da sigla

GUILHERME ANJOS

Publicação: 16/03/2024 03:00

A relação entre Álvaro Porto e o PSDB parece se esfarelar cada vez mais com o passar dos dias. No mais novo capítulo de seu isolamento entre os tucanos, o presidente da Assembleia Legislativa (Alepe) diz não ter sido convidado para o evento voltado aos filiados do partido na última quinta-feira (14), que contou com a presença da governadora Raquel Lyra e do presidente nacional da sigla, Marconi Perillo.

“Sou do PSDB, continuo no partido, sou da base da governadora. Agora, só fiquei sabendo pela imprensa depois que aconteceu. Penso que foi uma falha do cerimonial”, disse Porto ao Blog do Elielson. Em contato com a reportagem, a assessoria de comunicação do deputado reforçou a declaração, mas disse que o próprio não quer mais se pronunciar sobre o assunto.

A solenidade contou com a presença de diversas lideranças do PSDB e seus aliados no Brasil e em Pernambuco, com destaque para Marconi Perillo e o dirigente municipal, Fred Loyo, que falaram abertamente sobre o tópico “Álvaro Porto” tanto em coletiva de imprensa durante o evento, quanto em visita ao Diario de Pernambuco poucas horas antes.

O teor do discurso envolvendo a situação do deputado federal era sempre de repreensão ao seu comportamento, e solidariedade à Raquel Lyra. No início de fevereiro, um áudio vazado do microfone de Porto na Alepe expôs críticas e ofensas dirigidas à governadora, que foram repudiadas pelo partido.

“O PSDB nacional manifestou sua solidariedade. À época, falei com a governadora e disse que se ela quisesse qualquer medida mais dura, o executivo nacional estaria à disposição”, disse Perillo.

Em nota divulgada à época, Porto reconheceu o erro das palavras de baixo calão, mas reiterou o posicionamento adversário. “[O deputado] afirma ainda ter o direito e o dever de avaliar e criticar discursos que não correspondam à realidade observada”, escreveu a assessoria.

O episódio, no entanto, foi apenas o começo das ruptura dos laços entre Porto e os tucanos. No último domingo (10), o deputado prestou apoio ao lançamento da pré-candidatura de reeleição à Prefeitura de Canhotinho de sua esposa, Sandra Paes, anteriormente no PSDB, pelo Republicanos.

“Nosso trabalho é voltado para os mais humildes. Sandra Paes está preparada para continuar trabalhando para o povo de Canhotinho. Ela vem governando e melhorando a vida do povo. Hoje, ela está se filiando ao Republicanos. Canhotinho é 10. Tenho certeza que, ao lado do ministro Costa Filho, Sandra vai fazer o melhor para a cidade”, discursou Álvaro Porto.

Durante a celebração pela filiação de sua esposa, Porto teria ainda feito acenos ao PSB, o PT e o PP, todos estes com representantes prestigiando a solenidade, que contou com a presença de siglas da direita à esquerda.

Consequências
Questionado sobre a possibilidade de o deputado estar levando prefeitos para outras siglas, Fred Loyo negou a movimentação. “Ele não tirou nenhum prefeito do PSDB que não a esposa dele. Ela não foi eleita pelo partido, e é um direito que ela tem”, disse.

Já Marconi Perillo repudiou o apoio de Álvaro Porto à troca de siglas de Sandra Paes. “É infeliz essa atitude de um militante do partido transferir pessoas próximas a outro partido. É no mínimo um ato de infidelidade partidária, e um desrespeito ao partido e fundo eleitoral que o elegeu”, disparou.

Apesar dos repúdios, a posição oficial do PSDB é manter os canais de diálogo com Porto abertos - a própria Raquel Lyra preferiu não levar punições adiante à época da polêmica do áudio. Sempre que o assunto retornava, Marconi Perillo fazia questão de ressaltar que ele não possui contato com o deputado, e que o assunto estava nas mãos de Loyo, que diz ainda buscar conciliação.

“Sempre mantive o mais aberto diálogo com Álvaro Porto. Tenho uma relação pessoal com ele muito amistosa e pessoal. Nos encontramos essa semana num evento do PP e fiz questão de cumprimentá-lo. Ele sempre foi muito atencioso a mim, e eu a ele. As portas do partido continuam abertas, o diálogo sempre esteve aberto. Ele tem um posicionamento diferente, e cabe respeitá-lo”, afirmou Loyo.

Perillo, no entanto, não se absteve de expressar sua opinião quanto a consequências mais severas. Perguntado sobre a possibilidade de uma expulsão, respondeu que não a descartava. “Dependendo da situação, se houver desrespeito ao estatuto, a fidelidade partidária e havendo motivação clara”, declarou.