Secretário é pressionado por deputados Gestor estadual de Educação prestou esclarecimentos sobre questões como falta de merenda e fardamento e dificuldades no intercâmbio

Guilherme Anjos

Publicação: 02/04/2025 03:00

Diante de deputados estaduais, professores, analistas e estudantes da rede estadual de ensino, o secretário de Educação, Gilson Monteiro Filho, prestou esclarecimentos, em audiência pública na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) ontem. O gestor explicou questões sobre falta de merenda, kit escolar, fardamento, dificuldades do programa Ganhe o Mundo, entre outras denúncias levadas aos parlamentares pela população.

MERENDAS
O presidente da Comissão de Administração Pública, deputado Waldemar Borges (PSB), questionou a inexistência de licitações para a compra de merenda escolar e a realização de três compras emergenciais na ordem de R$ 200 milhões; cobrou o secretário sobre a falta de proteína na alimentação dos estudantes – algumas escolas passam até 4 dias sem receber – e sobre a baixa participação da agricultura familiar na produção da merenda.

Gilson Monteiro Filho apontou o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) como responsável pelas contratações emergenciais de merendas. Ele afirmou que as impugnações, medidas cautelares e pedidos de esclarecimentos sobre as licitações atrasou que o serviço chegasse às escolas.

Após os esclarecimentos prestados pelo secretário, a representante da União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (UESPE), Camila Nascimento, afirmou que os estudantes relataram ter encontrado larvas no alimento servido pelo Estado.

Kits e fardamentos
Questionado sobre os atrasos nas entregas dos kits escolares, que incluem itens como canetas, lápis, borrachas e cadernos, Gilson Monteiro responsabilizou, novamente, as intervenções do TCE.

O secretário relatou que a pasta precisou adquirir os materiais de forma emergencial junto ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para que os itens chegassem aos estudantes, apesar de não contemplar todos os alunos do Estado, nem ter a mesma qualidade do oferecido pela gestão.

Outro problema relatado pelos alunos foi a falta de fardamento, que inclui camisas da rede estadual, mochilas e tênis. O secretário admitiu o atraso na entrega, e justificou que ocorreu devido à priorização da mão de obra 100% pernambucana para a confecção.

INTERCÂMBIO
Estudantes, professores e deputados criticaram a demora para o início do intercâmbio do Programa Ganhe o Mundo, as condições de moradia dos alunos que já viajaram e a falta de atualizações sobre as viagens para os EUA e Canadá.

O secretário voltou a levantar as imposições do TCE como impedimento para a execução dos projetos da pasta. O primeiro processo licitatório foi suspenso pelo órgão e depois anulado pela secretaria. A pasta lançou um segundo processo, mas a habilitação da empresa vencedora foi contestada e o processo está na Procuradoria-Geral do Estado (PGE).

Uma medida cautelar do TCE determina, também, que as viagens para os EUA e Canadá aconteçam apenas no segundo semestre de 2025. O Governo contestou, afirmando que 400 alunos dos 700 que ainda esperam pelo intercâmbio vão completar 18 anos neste período e não estariam mais aptos ao programa.
 
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