Engenho Sapucagi hospedou pintor

Publicação: 19/06/2018 03:00

O último registro que se tem de Cícero Dias em Escada, após ele se fixar em Paris, é da década de 1990, quando ele voltou à cidade na companhia da sua esposa Raymonde. Na ocasião, ele se hospedou no Engenho Sapucagi, que fica a 1,2 quilômetro da sede do município e pertence à família Dias. O atual proprietário Vicente Dias reside no Recife e visita o engenho ocasionalmente.

A casa-grande foi construída na segunda metade do século 19, no ano de 1862. A casa possui 15 quartos, dez banheiros, duas salas grandes e uma capela do lado esquerdo da varanda. A capela foi o único espaço que a reportagem teve acesso. Na cômoda ainda estão guardadas as roupas usadas pelos sacerdotes. O morador do engenho, José Francisco do Nascimento, 76 anos, reside nas terras há 23 anos. Embora esteja à frente do engenho na ausência do proprietário, ele sabe bem suas limitações. “A casa-grande só pode ser aberta na presença do doutor Vicente. Uma vez sumiu coisa da casa e ele agora só permite a limpeza quando ele está aqui”, contou.

Do lado de fora do casarão é possível observar a imponência da arquitetura do lugar, uma característica das construções do período da oligarquia açucareira. A entrada do engenho é ladeada por palmeiras imperiais, mas a erosão na estrada de terra não permite que o carro chegue até a casa-grande. Embora tenha potencial turístico, o engenho não é explorado para visitação. “Nenhum dos engenhos de Escada é aberto ao público. Em alguns a família residente até permite que o visitante entre para conhecer, mas não é uma atividade explorada no turismo”, explicou Alex Anthony, que acompanhou a equipe do Diario até o Engenho Sapucagi.