Fim da Barreto Campelo gera incertezas Moradores da Ilha de Itamaracá celebram a desativação da penitenciária, ao mesmo tempo em que têm dúvidas sobre os planos para o local

LARISSA AGUIAR

Publicação: 03/04/2025 03:00

Barreto Campelo abrigava 472 detentos em regime fechado; encerramento era pleito (JAQUELINE MAIA/ARQUIVO DP)
Barreto Campelo abrigava 472 detentos em regime fechado; encerramento era pleito

A histórica desativação da Penitenciária Professor Barreto Campelo, localizada na Ilha de Itamaracá, ocorrida na última terça-feira (1º), levantou questionamentos sobre o futuro da região, afetando diretamente moradores e veranistas. Apesar de a governadora Raquel Lyra ter avisado que pretende demolir o prédio, ainda não foi divulgado um plano para o local.

A retirada do presídio, que abrigava 472 detentos em regime fechado, atendeu a uma antiga demanda da população e turistas do Litoral Norte. Entre as incertezas sobre os próximos passos, está o impacto na segurança da ilha.

A presença da penitenciária por muitos anos foi motivo de preocupação para os moradores e turistas da ilha, devido a episódios de fugas e rebeliões. Entretanto, a estrutura também garantia uma constante presença policial na região, fator que agora se torna uma incógnita.

SURPRESA
Para a produtora audiovisual e ex-deputada estadual Carol Vergolino, que frequenta Itamaracá desde os anos 1980, a desativação do presídio não representa, necessariamente, um avanço imediato.

“A gente sempre ouviu falar que o presídio sairia, mas nunca houve confirmação. Agora, a sensação é de surpresa e dúvida. Se por um lado há um alívio, por outro há preocupação sobre o que será feito da área e como ficará a segurança”, pondera Carol.

Já o ambientalista Ruan Fernandes, fundador da ONG Itamaracá Preservada, vê a mudança com otimismo. “Essa desativação representa uma grande conquista para o município. Ela pode tornar Itamaracá um ambiente mais propício para o turismo, trazendo investimentos e melhorando a arrecadação municipal”, analisa.

Para moradores e ambientalistas, é fundamental que qualquer projeto respeite a Área de Proteção Ambiental (APA) onde a penitenciária estava inserida.