Pesqueira tem prefeito afastado do cargo Conhecido como Cacique Marcos Xucuru, ele foi alvo ontem de operação da Polícia Civil que investiga o uso de licitações fraudulentas

FELIPE RESK e MAREU ARAÚJO

Publicação: 04/04/2025 03:00

Prefeito nega qualquer participação com os fatos investigados e fala em perseguição (JANE DE ARAÚJO/AGÊNCIA SENADO)
Prefeito nega qualquer participação com os fatos investigados e fala em perseguição

O prefeito de Pesqueira, no Agreste de Pernambuco, Marcos Luídson - conhecido como Cacique Marcos Xucuru (Republicanos) -, foi afastado ontem do cargo por um prazo de 30 dias. A decisão veio junto com a deflagração da operação “Pactum Amicis” da Polícia Civil na cidade que cumpriu um mandado de prisão e 15 mandados de busca e apreensão.

As ações da Polícia Civil foram realizadas na cidade, em Alagoinha, na mesma região, além de Arcoverde, no Sertão. Marcos é acusado de participar de um suposto esquema para direcionar licitações superfaturadas no município. Segundo o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), três empresários eram favorecidos e teriam recebido mais de R$ 6 milhões nos últimos quatro anos. Em nota divulgada nas redes sociais, ele alega inocência e diz sofrer perseguição política.

O Diario apurou que o prefeito já é réu por improbidade administrativa no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) por causa das supostas fraudes em licitações. A ação civil, aceita no dia 10 de janeiro, foi proposta pelo MPPE.

Segundo a promotoria, as irregularidades teriam começado a partir de 2021, durante a gestão do ex-prefeito Bal de Mimoso (Republicanos), que também foi acusado pelo esquema. Ele afirma que todas as contratações da sua gestão foram legais.

LICITAÇÕES
Na época, Cacique Marcos era secretário municipal de Governo e Planejamento e teria se aproveitado do cargo para “organizar, participar e validar os processos licitatórios fraudulentos”. Outros cinco agentes públicos, que teriam atuado para “esquentar” as contratações irregulares, respondem ao mesmo processo.

Na ação, o MPPE diz que a Prefeitura de Pesqueira promoveu “licitações fraudulentas”, em que até pessoas da mesma família disputavam a concorrência. Os contratos também teriam “valores desproporcionais ao capital social” das vencedoras.

De acordo com a promotoria, os principais favorecidos eram o casal Aurycleia Pereira de Souza e Osmano Vieira de Melo, que tinham parentes em cargos comissionados na Prefeitura de Pesqueira. O empresário teria, ainda, contrato de locação de imóvel com o município.

Segundo o MPPE, o casal venceu 83,4% das licitações disputadas no período. Também foi identificado concorrência em que eles teriam concorrido entre si – o que teria “desequilibrado a disputa e afetado o princípio da isonomia”, segundo a ação.

O outro empresário favorecido era Albérico Diógenes Ferreira, parente do então diretor do Departamento de Compras da Prefeitura de Pesqueira, de acordo com a ação civil. Ele teria saído vitorioso em 100% das licitações disputadas no período.

RESPOSTA
Em sua rede social, o cacique afirmou que as investigações “trazem acusações infundadas de supostas irregularidades”. Na manifestação, ele diz ainda que “tem sido alvo constante de perseguições desde sua juventude e mais fortemente após o ingresso na vida política, marcada pelo rompimento com estruturas de poder que por décadas dominaram a política local”.

“Reiteramos à população de Pesqueira e a toda sociedade que o Cacique Marcos Xukuru não tem qualquer envolvimento com os fatos investigados. Nossa equipe jurídica já está tomando todas as medidas cabíveis para reverter esse ato”, diz a nota.