O fim da Penitenciária Barreto Campelo Após mais de 50 anos, a unidade foi totalmente desativada ontem pelo governo do estado. Presos foram levados para outros locas

Nicolle Gomes

Publicação: 02/04/2025 03:00

A operação de ontem contou com participação de policiais civis, penais e militares (CRISTIANO RÉGIS/DIVULGAÇÃO)
A operação de ontem contou com participação de policiais civis, penais e militares

A Penitenciária Professor Barreto Campelo (PPBC), situada na Ilha de Itamaracá, no Grande Recife, foi totalmente desativada na manhã de ontem após mais de 50 anos de funcionamento. A desativação fez parte de uma operação do governo do estado, por meio da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização de Pernambuco (SEAP).

A iniciativa, batizada como Operação Ponto Final, faz parte do plano de reestruturação do sistema prisional do governo do estado e atende a uma reivindicação histórica de moradores e turistas do Litoral Norte. Ao todo, a Barreto Campelo tinha 640 vagas e mantinha 472 presos recolhidos em regime fechado. Todos eles foram transferidos para outros estabelecimentos penais da Região Metropolitana do Recife (RMR).

A mobilização de segurança para a transferência contou com a atuação de 115 policiais penais, 12 policiais civis, 332 policiais militares, além do Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária Federal e serviços de inteligência. A ação contou ainda com monitoramento por drones e câmeras.

Entre as razões que motivaram a desativação do equipamento estão as condições estruturais precárias em pavilhões, áreas de vivência e setores administrativos e de apoio - agravadas pela ausência de manutenção preventiva e corretiva -, além de problemas no sistema de esgoto e deterioração das estruturas da muralha e passarelas.

DEMOLIÇÃO
Enquanto ocorria a operação, a governadora Raquel Lyra – que participava de um evento – explicou que o objetivo do governo era demolir o prédio. Raquel lembrou que o estado sofreu uma condenação da Corte Interamericana de Direitos Humanos por ter um dos piores sistemas penitenciários do Brasil. “Com apoio do governo federal, e com decisão do nosso Governo, a gente tem conseguido fazer esse processo de reconstrução, e uma das etapas era fazer a demolição do Barreto Campelo”, ressaltou a gestora.

Em novembro de 2024, o Ministério Público Federal (MPF) inspecionou o presídio.  A estrutura física deteriorada e abandonada foi um dos pontos apontados na fiscalização. Demora na coleta do lixo e ausência de defensores públicos também foram outros pontos negativos identificados, segundo o MPF.

Em 2019, a Barreto chegou a ter cerca de 2 mil internos. A redução no número de presos ocorreu após intervenção judicial, decorrente das precárias condições da unidade.